Eu me lembro bem...
Do tempo do suplício;
Do tempo de ser sozinho
Em que riscávamos os pés nas ruas
desenhando percursos vazios,
com toda aquela fragilidade de papel.
E papel é assim:
Jogado é lixo;
Molhado, desmacha;
Queimado é cinza.
Mas, eu me lembro bem.
A memória não é de papel.
Com ela a gente revive a capacidade
de caminhar juntos promovendo a
sagrada condição da dignidade.
Eu sei bem...
A memória é que nutre a durabilidade
e continuidade das coisas, do existir.
Nada abala a memória;
Nem o descaso,
Nem a exurrada
e nem o fogo.
(Dimir Viana, 2000)
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